Depois de mais um daqueles nossos encontros cotidianos e quase que obrigatórios entre os casais, partimos para o momento do abraço de “até amanhã”, e foi aí que tudo começou...
Ao envolver meus braços em volta do seu corpo foi como se um pressentimento ruim me avisasse que aquele seria a última vez que estaríamos tão juntos, que eu deveria aproveitar bem o aroma que vinha de ti.
Eu te apertava contra o meu peito, como se estivesse segurando o meu mundo, como se suplicasse calada que você ficasse. E respondendo no mesmo tom, você foi me retirando, se afastando, meio frio, meio que tentando se livrar, meio sem coragem de me olhar nos olhos e completamente apresado para ir embora.
“Tenho que ir”, foi à única coisa que você soube dizer e eu fiquei ali, parada, te vendo sumir da minha linha de visão, na esperança de que nos 45 minutos do segundo tempo você fosse olhar pra trás com aquele sorriso e gesticulasse um “Eu te amo, dorme bem!”...
Eu era confiante demais para acreditar que aquilo era um ADEUS, certamente estava enganada e no dia seguinte nós íamos continuar os nossos encontros rotineiros e talvez depois de algumas horas de amor, deitados na cama eu até te contaria das bobagens que tinha pensado na noite anterior.
Mas os dias se passaram, muitos “amanhãs” vieram... Só você não veio!
De todas as (muitas) vezes que te vi saindo por aquela porta dizendo que não voltava mais, bastavam algumas horas e lá estava você de volta, declarando sem jeito todo o seu amor e confessando que sem mim não vivia.
Acho que foi meio isso, esse mau costume, essa certeza de que você seria pra sempre meu, de que você sempre voltaria, que não me fez perceber os sinais que a cada segundo você me mandava numa tentativa de me avisar de que seu amor por mim estava enfraquecendo, para que talvez eu pudesse nos salvar.
Logo eu, que sempre fui tão atenta aos gestos e não percebi que seus olhos já não brilhavam mais ao encontrar os meus, que seu coração não acelerava ao ouvir minha voz, que os beijos e as ligações já não eram tão longas como eram antigamente. Logo eu não percebi que o seu “tenho que ir” era um ultimo pedido de socorro.
Por que eu não entendi quanto era importante que você voltasse?
Por que eu não entendi o quanto era importante que você ficasse?
Por que eu não te disse que sem você a casa, as ruas, as cores, as flores, o sofá, a cama, o trabalho, a faculdade, nada teria graça?
Por que os nossos encontros se tornaram cotidianos e quase que obrigatórios como os dos outros casais?
Por que eu não entendi o quanto era importante que você ficasse?
Por que eu não te disse que sem você a casa, as ruas, as cores, as flores, o sofá, a cama, o trabalho, a faculdade, nada teria graça?
Por que os nossos encontros se tornaram cotidianos e quase que obrigatórios como os dos outros casais?
Por que você teve que (não) dizer ADEUS e nunca mais voltar? "
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